TccendoaPós

Blog dedicado a solução e demonstração das idéias que surgirão no decorrer do desenvolvimento do meu TCC para o curso de Pós-graduação em Mídias Interativas. sugestões, críticas e comentários serão muito bem vindos...

11/06/2006

Navegar é preciso...

Saudações...

Depois de um tempo cá estou de volta.

Comecei algumas leituras, algumas conversas com pessoas do meio. Estamos pensando em fazer testes práticos sobre como as pessoas interagem, atualmente, com a interface da televisão, vai ser interessante descobrir mais sobre essa forma de interação, de certa forma passiva, e como se dará uma nova forma de interação.

Partindo do princípio que o formato de mídia que estamos estudando não deixa de ser uma hipermídia, um livro de Lucia Leão abriu muitas visões para uma análise mais profunda.
Ela define como hipermídia: "(...) O que distingue a hipermídia é a possibilidade de estabelecer conexões entre diversas mídias e entre diferentes documentos ou nós de uma rede. Com isso, os “elos” entre os documentos propiciam um pensamento não-linear e multifacetado. O leitor em hipermídia é um leitor ativo, que está a todo momento estabelecendo relações próprias entre diversos caminhos. Como um labirinto a ser visitado, a hipermídia nos promete surpresas, percursos desconhecidos.(...)" (pg16)

Sobre a navegação: “O labirinto nos propicia experiências distintas e complementares. Atravé de olhares e percepções diferentes, o labirinto do arquiteto e o labirinto do viajante dialogam e se diferenciam. Rosenstiehl(1988:252) nos oferece pistas valiosas quanto às sutilizas e características dessas duas personagens. Conforme seu texto, existem três traços distintivos entre a postura do viajante e a do arquiteto. O primeiro ponto seria o fascínio que o labirinto exerce. “O labirinto responde a um apetite de descoberta; a sua exploração é o arquétipo do espírito de investigação”. Segundo, o peregrino percorre o labirinto sem mapa,”a vista desarmada”. Ele não tem como se prevenir do que lhe espera pela frente. O único recurso com o que o viajante pode contar é o de verificar as marcas, os vestígios que deixou em suas passagens anteriores. E, finalmente, “longe de se entregar ao acaso, o viajante faz cálculos em cada encruzilhada”. Com essa frase, Rosenstiehl está afirmando que o andarilho não caminha ingenuamente, mas que sua trilha é impulsionada pelo desejo de penetrar no labirinto, de conhecer suas esquinas e recantos escondidos. Dessa forma, o caminheiro exercita sua inteligência, desenvolve sua métis, como diriam os gregos...” (pag113)

O usuário desenvolve um mapa ao longo de ser percurso e cria várias formas de recordá-lo mais tarde. Porém quanto mais fácil for seu caminho de ida, mais prazeroso e simples será seu caminho de volta. Não podemos impor uma forma de navegação a esse usuário que viaja através dos nós da hipermídia, o arquiteto deve proporcionar um caminho mais simples e intuitivo.

Simplicidade em um caminho mais intuitivo são fórmulas imprescindíveis para uma usabilidade e arquitetura de informação bem aplicada. É estamos caminhando....

Finalizamos com mais Lucia Leão... "O pensamento não-linear compreende as questões dentro do conceito de sistemas, isto é, dentro de relações de troca e mútua determinação”.

Até a próxima... :P

Fontes:

O livro citado foi:

- Leão, Lucia. O Labirinto da Hipermídia. São Paulo, Iluminuras, 2001.

Bibliografia interessante do livro da Lucia:

- Ascott, Roy . The architeture of cyberception, ISEA. Findland 1994
- Benedickt, Michael. Cyberspace:first steps. Cambridge, MIT Press 1994
- Leão, Lucia. Apontamentos a respeito da arquitetura da hipermídia